Visita do Chefe da Casa Imperial do Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Fortaleza, Príncipe defende Poder Moderador como saída para a crise institucional

Seis anos depois do Plebiscito sob as formas de governo, o Príncipe D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil e legítimo sucessor ao Trono, esteve no Ceará para a solenidade de posse da nova diretoria do Círculo Monárquico de Fortaleza, que completou dez anos de existência. Segundo o presidente do Círculo, o advogado Juvenal de Arruda Furtado, a entidade visa formar lideranças e difundir as idéias monárquicas, através de palestras e de variadas formas de propaganda.

Além de dar posse à diretoria do Círculo Monárquico, o Príncipe D. Luiz cumpriu extensa agenda que incluiu a visita à 10ª Região Militar, ao Hospital Militar de Fortaleza, recepção na casa de Mirian e João Batista Holanda e uma entrevista no conhecido programa de Fernanda Quinderé, "Ponto de Encontro", na TV Diário.

Neste programa, onde esteve acompanhado por diversos membros do Círculo Monárquico de Fortaleza, D. Luiz destacou que "a Monarquia é um fator de estabilidade, um fator de segurança, um fator de progresso verdadeiro, porque a Monarquia tem continuidade, tem uma rota traçada, baseada nos princípios eternos da Civilização Cristã que podem orientar o Brasil". Indagado de como a Monarquia pode ajudar a resolver a crise moral em que se debate o País, o Príncipe afirmou: "Um chefe de Estado independente dos interesses locais, dos grupos econômicos, com uma formação desde criança de serviço à nação, de serviço a seu povo e que não tem ambições a não ser o bem de seu povo, porque o bem de seu povo coincide com o seu próprio bem, esse chefe de Estado pode ajudar de uma maneira superior a resolver esses problemas. Não digo por decretos, por leis, por portarias, por regulamentos, mas pelo exemplo".

Nas entrevistas que concedeu aos principais órgãos da imprensa escrita do Estado, D. Luiz de Orleans e Bragança destacou ainda que a atual crise econômica, social e política, se arrasta, por assim dizer, desde a Proclamação da República, e tem como principal causa a falta de moralidade. Disse também que no regime monárquico o soberano confere estabilidade, o que se verificou historicamente nos 64 anos de Império. Estabilidade para a qual contribui consideravelmente a existência do Poder Moderador que garantia o equilíbrio entre os demais poderes. O Poder Moderador é, ainda segundo D. Luiz, um grande trunfo da proposta monárquica para os dias que correm.

Ao abordar a questão do regime parlamentarista - que volta a ser discutido nos meios políticos - o Chefe da Casa Imperial ressaltou que o mesmo é muito vantajoso, mas apenas se a Monarquia for restaurada. Ele vê alguns inconvenientes na volta do parlamentarismo num regime republicano, um dos quais a eventual dicotomia entre o chefe de Estado e o Primeiro-Ministro quando pertencem a partidos diferentes. O Monarca não pertencendo a qualquer partido pode dar ao parlamentarismo verdadeira estabilidade.

Em resposta aos jornalistas, o Príncipe D. Luiz declarou que a Reforma Agrária feita no País, ao longo de mais de três décadas, foi um fracasso. Para isso citou as próprias afirmações do atual Ministro de Assuntos Fundiários, Raul Jungman, o qual garantiu que os sucessivos governos republicanos gastaram inutilmente mais de 7 bilhões de reais em planos mal concebidos e inviáveis. "O Brasil não tem o problema do joão-sem-terra, tem o problema da terra-sem-joão", destacou o Príncipe. E acrescentou: "A propriedade privada é condição para que os homens de um País não sejam escravos, pois todo o homem é dono de si mesmo, de seu trabalho, e portanto dos lucros e economias de seu trabalho". D. Luiz ressaltou que "nossa estrutura agrária não é injusta" e que no debate sobre a Reforma Agrária se esquece que "a grande maioria dos fazendeiros, nas regiões novas, são filhos ou netos, eles mesmos, de trabalhadores manuais".