A sedução da propaganda imaginária
 

Nestes tempos de super informação e de propaganda avassaladora, talvez pareça ridículo questionar-se sobre a sensatez e a racionalidade do público visado por ambas.

Entretanto um insuspeito analista, Eugênio Bucci, em artigo para a revista "Veja", intitulado A mercadoria Alucinógena, alerta para o seguinte problema: a sedução do consumidor para uma relação imaginária com as mercadorias propostas pela propaganda:

"Enquanto o consumidor imagina que é um ser racional, dotado de juízo e de bom senso, a publicidade na TV abandona progressivamente essa ilusão. Em vez de argumentar para a razão do telespectador ela apela para as sensações, para as revelações mágicas mais impossíveis.

"A marca de chicletes promete transportar o freguês para um tal 'mundo do sabor' e mostra o garoto-propaganda levitando em outras esferas cósmicas. O adoçante faz surgirem do nada violinistas e guitarristas. O guaraná em lata provoca visões amazônicas no seu bebedor urbano, que passa a enxergar um índio, com o rosto pintado de bravura, no que seria o pálido semblante de um taxista.(...) Estamos na era das mercadorias alucinógenas. Imaginariamente alucinógenas.(...)

"Ninguém leva os comerciais alucinógenos ao pé da letra, mas cada vez mais gente se deixa seduzir por eles. É que o encanto das mercadorias não está nelas, mas fora delas -- e a publicidade sabe disso muito bem.

"Ela sabe que esse encanto reside na relação imaginária que ela, publicidade, fabrica entre a mercadoria e seu consumidor. Pode parecer um insulto à inteligência do telespectador mas ele bem que gosta. É tudo mentira, mas é a maior viagem, bicho. A julgar pelo crescimento dessas campanhas, o público vibra ao ser tratado como quem se esgueira pelos supermercados à cata de alucinações.

"Por isso, a publicidade se despe momentaneamente de sua alegada função cívica -- a de informar o comprador para que ele exerça o seu direito de escolha consciente na hora da compra -- e apenas oferece o transe, a felicidade etérea, irreal e imaterial, que nada tem a ver com as propriedades físicas (ou químicas) do produto. A publicidade é a fábrica do gozo fictício -- e este gozo é a grande mercadoria dos nossos tempos, confortavelmente escondida atrás das bugigangas oferecidas. Quanto ao consumidor, compra satisfeito a alucinação imaginária. Ele também está cercado de muito conforto, protegido pela aparência de razão que todos fingem ser sua liberdade".

Até aqui as palavras do articulista. Entretanto cabe perguntar: será que a propaganda oferece a alucinação imaginária apenas em matéria de mercadoria?

Talvez muitos de nossos contemporâneos, protegidos "pela aparência de razão que todos fingem ser sua liberdade", também se deixem seduzir por fórmulas políticas, sociais e culturais que lhe oferecem o "transe, a felicidade etérea, irreal e imaterial". Promessas fáceis, soluções milagreiras e imediatistas correm soltas. Entretanto, quando analisadas detalhadamente, com objetividade e senso crítico, se mostram inteiramente alheias à realidade brasileira.

A Monarquia, tão injustamente acusada por alguns de um devaneio de sonhadores, apela pelo contrário para o bom senso, sadio discernimento da realidade, e para a busca de uma judiciosa alteração das condições concretas da sociedade com vistas ao bem comum do País.

É por isso que se torna indispensável ir redescobrindo o verdadeiro Brasil, tantas e tantas vezes bem distante das cogitações de nosso mundo político.

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