Mãe de todos os brasileiros
 

    Foi esse o título que muito justamente se atribuiu à Imperatriz D. Teresa Cristina, nascida Princesa Bourbon das Duas Sicílias. A jovem Princesa, originária de Nápoles, para aqui veio por razões de Estado, a fim de ser a esposa de nosso Imperador D. Pedro II. Soube transformar essa união num laço de afeto, que se projetou discreta mas profundamente por todo o Brasil, o qual, por sua vez, a ela devotou sentimentos de reverência, estima e ternura.

    A existência de D. Teresa Cristina é, segundo as acertadas palavras de Lygia Fernandes da Cunha, "a história de uma princesa não favorecida de encantos físicos, mas em compensação, dotada de todas as virtudes morais que até hoje nela admiramos e que são o apanágio das mulheres honestas".

    Ao se comemorar o 175º aniversário de seu nascimento nada mais justo do que recordar essa figura, marcada por um sorriso discreto, e um olhar suave e observador. Foi o que fizeram com muito acerto o Istituto Italiano di Cultura, do Rio de Janeiro, o Museu Imperial, de Petrópolis, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com a colaboração do Pontifício Santuário di Pompei, na publicação intitulada Teresa Cristina Maria, a Imperatriz silenciosa. Esse opúsculo, enriquecido de belas ilustrações, traça o perfil da Princesa.

    Filha de Francisco de Bourbon, na época príncipe herdeiro do Reino das Duas Sicílias, mais tarde Francisco I, e de Maria Isabella de Bourbon, Infanta de Espanha, teve uma educação esmerada: belas artes, música, canto, bordado, francês e religião. De natureza sensível e inclinada naturalmente ao culto da arte, foi educada e instruída pelo preceptor, monsenhor Olivieri.

    A 20 de maio de 1842 foi assinado, em Viena, o contrato de casamento entre a Princesa Maria Teresa Cristina e o Imperador do Brasil, D. Pedro II. O matrimônio foi celebrado por procuração, em Nápoles, a 30 de maio do ano seguinte.

    Nesse mesmo ano, D. Pedro enviou a Nápoles uma frota que deveria trazer a Princesa. Esta veio acompanhada pelo irmão Luís, que se casaria com D. Januária, irmã do Imperador.

    Durante a viagem um gesto de afabilidade da Princesa revela bem o seu caráter: além de acompanhar com desvelo um doente quis que, a cada dia, um dos navios da frota destacasse um de seus oficiais para jantar com ela. A 4 de setembro desembarcou D. Teresa Cristina na terra que a acolheria durante 46 anos.

    Quando se casou com o Imperador não trouxe apenas a sua sensibilidade artística, mas também intelectuais, artesãos, artistas, cientistas, enfim muitas pessoas de cultura e uma quantidade inumerável de obras, coleções e documentos preciosos, que constituem patrimônio cultural inestimável.

    Compartilhava D. Teresa Cristina com seu esposo o gosto pelas artes, sobretudo a música, e foi por influência sua que Carlos Gomes estudou na Itália.

    A seriedade com que D. Teresa Cristina assumiu seu dever de estado, tanto como esposa e mãe quanto como Imperatriz impressiona vivamente ao se analisar seu perfil moral. Apesar de se dedicar com desvelo à família, acompanhava com atenção os acontecimentos políticos nacionais e internacionais, especialmente os que comportavam algum reflexo para o Império.

    Os bilhetes afetuosos que escrevia ao esposo, quando este se ausentava, fazem ver o perfeito entendimento em que viviam. Como esposa exemplar soube pautar sua vida pela do Imperador, e ser seu sustentáculo em todas as ocasiões, inclusive acompanhando-o em muitas de suas as viagens, no Brasil e no Exterior.

    Ela foi como escreveu alguém "ela foi, podemos dizer, o anjo inspirador de D. Pedro II; de sua doçura, da alegria de seu caráter, da pureza de seu sentimento cristão, o Imperador recebeu o estímulo para os mais elevados gestos de sua nobre vida. Foi a companheira assídua e afetuosa do grande soberano".

    A Imperatriz deu à luz quatro filhos, dois meninos e duas meninas. A perda dos dois filhos homens, um deles primogênito, a preocupação com as duas filhas Isabel e Leopoldina, a doença do Imperador, as crises políticas e as guerras não abalaram nunca a serenidade da Imperatriz, só a proclamação da República, o desmoronamento do Império e o duro destino do exílio foram superiores à força de seu coração. A 28 de dezembro de 1889, poucos dias após chegar a Portugal, faleceu.
 

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